Diferimento de Pastagens: garantindo um bom desempenho durante a seca

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Existem várias formas de garantir que seu rebanho receba alimentos durante os períodos de seca que atinge algumas regiões do Brasil. Mas o diferimento de pastagens é um dos mais vantajosos, pois é um sistema barato e fácil de ser adotado pelo pecuarista (EUCLIDES et al., 2007).

O diferimento de pastagens, também conhecido como vedação ou produção de feno em pé é um sistema no qual os animais são excluídos do pasto, deixando o capim em crescimento livre. Nesse tempo, o capim acumula massa de forragem, que vai servir como alimento ao seu rebanho na época de seca.

Esse sistema é utilizado por técnicos e pecuaristas para que se alcance um equilíbrio entre o excesso de pastagem no período das águas e a falta dela no período seco do ano. Ou seja, no período das águas, o pasto cresce a todo vapor, enquanto que na seca, quase não possui crescimento.

Mas o diferimento de pastagens também tem um lado negativo: a alta concentração de colmos (talos) na estrutura do pasto, deixando-o com um pior valor nutritivo. Mas combinando o pasto diferido com uma suplementação, seu rebanho poderá ter ganhos durante todo o período de seca.

Abaixo, um gráfico mostrando a disponibilidade x qualidade da forragem ao longo do ano, e a demanda do animal:

Fonte: Coan Consultoria

O que deve ser levado em consideração para fazer o diferimento de pastagens?

Primeiramente você deve conhecer as características do seu capim. Os mais recomendados para adoção do diferimento são principalmente os pastos do genêro Brachiaria (Braquiarinha e Braquiarão), e do gênero Cynodon (Coastcross e Tifton 85).

Em compensação, os cultivares do gênero Panicum não são recomendadas por serem de maior porte, com isso, têm alta concentração de colmos em sua estrutura. A exceção é o capim Tanzânia, que pode ser utilizado para realização da técnica.

Outro fator a ser considerado é seu objetivo com o diferimento. Caso seu foco seja estocar a maior quantidade possível de massa de forragem, deve-se deixar o pasto vedado por mais tempo. No entanto, fazendo isso ele poderá perder valor nutritivo. Já se seu objetivo for melhor qualidade de volumoso, recomenda-se um menor período de diferimento. Porém, com um menor tempo não haverá um acumulo de massa de forragem tão expressivo.

Além disso, caso você queira ter um alimento com melhor qualidade, sem deixar o acumulo de massa de lado, tem outra estratégia que é o chamado diferimento escalonado.

No diferimento escalonado, ao invés de se realizar a vedação em uma área total por mais tempo, é feito a vedação de partes menores em tempos distintos. Dessa forma você também poderá colocar seus animais em épocas diferentes para consumirem a pastagem, evitando assim uma grande perda de valor nutritivo do pasto.

Adubação nitrogenada, por que fazer?

A adubação nitrogenada auxilia no diferimento, podendo se fazer a vedação de forma mais tardia. Isso ocorre porque o pasto adubado tem um crescimento mais acelerado quando comparado a outro pasto não adubado. Com isso, você pecuarista pode aproveitar ainda mais a pastagem na época das águas e ainda acumular maior quantidade de forragem na época da seca.

Outra vantagem da aplicação de nitrogênio é o aumento da massa foliar do pasto, sendo de grande importância no diferimento, pois em muitas das vezes o pasto apresenta uma menor relação folha/colmo, podendo aumentar assim o valor nutritivo e a digestibilidade da gramínea.

Qual o procedimento e dicas para realização da vedação do meu pasto?

Para se realizar a vedação do seu pasto você precisa ter piquetes na fazenda, ou ter uma outra forma de isolar a entrada de animais em determinada área da pastagem.

Após o isolamento da área, deve-se seguir alguns manejos que busquem melhorar a qualidade e a quantidade de massa de forragem estocada.

Antes de se realizar o diferimento, é de grande importância realizar o rebaixamento do capim na área a ser diferida, sendo recomendado o aumento na taxa de lotação. Com isso, o poder de rebrota do capim irá aumentar, incentivando o perfilhamento e removendo o material morto.

O diferimento deve ser realizado no fim do período das águas. Dessa forma, se aproveita o resto das chuvas do período, garantindo um bom crescimento do capim. Caso você queira acumular muita massa e começar a vedação mais cedo, você deve ficar de olho na altura de seu pasto durante a vedação, pois se as plantas crescerem demais pode ocorrer o tombamento do material, criando as chamadas “macegas”, que não são consumidas pelo animal.

A respeito de área a ser vedada, a recomendação é que se vede a área em cerca 20 a 40% da propriedade. Porém, para maior precisão, ainda existe alguns cálculos que são feitos de acordo com a necessidade de sua fazenda.

Devo suplementar meus animais com o pasto diferido?

Sim. Embora o pasto diferido tenha uma boa porcentagem de matéria seca (MS), ele apresenta uma menor concentração de proteína em sua estrutura, sendo necessário a suplementação.

A suplementação deve ser a mesma do período seco, no qual se utiliza a suplementação com alimentos proteicos para corrigir a deficiência existente no capim diferido. Sempre levando em consideração a categoria dos animais de sua propriedade, o preço de compra do produto, dentre outros fatores.

Fonte: Embrapa

Conclusão

Podemos dizer com firmeza que se juntarmos boas técnicas e bom manejo da pastagem é possível ter ganhos relativamente satisfatórios no período da seca.

O diferimento é uma técnica que pode compensar o excesso de pasto no período das águas com a falta de pasto no período da seca, sendo uma estratégia barata e de fácil adoção pelo pecuarista.

Caso se realize a adubação e a suplementação correta dos animais no período, pode-se alcançar excelentes resultados zootécnicos, gerando um maior retorno econômico e rentabilidade da atividade.

Depois dessas dicas, você pecuarista já está pronto para realizar o diferimento para a próxima estação seca?

Referências

EUCLIDES, V. P. B. et al. Diferimento de pastos de braquiária cultivares Basilisk e Marandu, na região do Cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasilia, v. 42, n.2, p. 273-280, 2007.

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