Integração Lavoura Pecuária Floresta – Uma alternativa para uma pecuária sustentável

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Frente a grande intensificação da produção agropecuária, ocorreram grandes efeitos na degradação de áreas produtivas, principalmente as pastagens. E é justamente o pasto a principal fonte de alimento do rebanho bovino de corte do Brasil.

Fonte: https://maranhaohoje.com/

 

O objetivo da produção a pasto é, como qualquer outro sistema produtivo, obter lucro e bons resultados produtivos. Mas, mesmo ocupando papel de destaque na pecuária de corte, o Brasil ainda apresenta baixos índices produtivos.

Devido a grande intensificação da produção agropecuária, e manejo incorreto devido a fatos como não respeitar a taxa de lotação suportada pela pastagem ocasionando superlotação, falta de reposição dos nutrientes do solo com adubação e baixo investimento em tecnologia, ocorreu uma saturação de muitas áreas produtivas.

Diante disso, a degradação das pastagens se tornou um dos principais sinais da baixa sustentabilidade da pecuária. É preciso mudar este cenário para otimizar cada vez mais a produção e aumentar a lucratividade.

A saturação das áreas produtivas levou a busca por alternativas para recuperação e manutenção da produção nestas áreas, sendo uma delas os sistemas integrados de produção agropecuária. Com os sistemas integrados, além de recuperação é possível garantir melhoria nos indicadores produtivos e diversificação da fonte de renda da propriedade.

Diante do cenário atual, com um mercado em alta e grande tendência de crescimento para a próxima década, o Brasil é um país que possui um grande potencial produtivo para suprir a demanda por alimentos no mundo.

Para tanto, será necessário investir em estratégias produtivas para aumento de produtividade que garantam a sustentabilidade, devido ao grande apelo social pela conservação ambiental.

Existe um grande crescimento do uso dos sistemas integrados no Brasil, um estudo conduzido pela rede ilpf com resultados publicados em 2016 apontou que em 2005 havia 1,97 milhões/ha ocupados por ILPF, em 2016 cerca de 11,5 milhões e em 2020 fechou com estimativa 17 milhões de ha e destes, 7 milhões são de atividade pecuária.

De acordo com as perspectivas de um estudo conduzido pelo CiCarne – Embrapa, a tendência é que até 2040 a área ocupada por ILPF no Brasil chegue a dobrar de tamanho.

Os estados onde a técnica está mais presente são MT, MS e RS. Segundo dados da Rede de fomento ILPF, MS liderava em 2016 com mais de dois milhões de ha.

Os dados de produtividade levantados são de uma produção de 30 a 35@/ha versus a média brasileira que é de 4 a 5@/ha. Então, seriam necessários de 25 a 30 milhões de ha para produzir essa mesma quantidade de carne, sem contar os demais benefícios.

 

O que é ILPF?

Caracterizam-se como sistemas silvipastoris ou ILPF os sistemas integrados de produção agropecuária que integram os componentes agrícola, pecuário e florestal em rotação, sucessão ou consórcio em uma mesma área. Nesta tecnologia de produção se integram diferentes sistemas produtivos em uma mesma área e pode ser adotada em arranjos distintos, com variação de culturas ou espécies animais, sendo mais comum com bovinos.

Vai variar também de acordo com a região por conta de clima, mercado, realidade e perfil do produtor que pode ser pequeno, médio ou grande. Estima-se ser mais comum em propriedades pequenas e médias, mas muitos grupos grandes têm adotado a solução principalmente por conta do apelo ambiental.

O objetivo principal é intensificar o uso da terra de forma sustentável.

Fonte: https://www.deere.com.br/pt/a-nossa-empresa/sustentabilidade-e-responsabilidade-social/ilpf/

Fonte: https://www.deere.com.br/pt/a-nossa-empresa/sustentabilidade-e-responsabilidade-social/ilpf/

 

Com a integração, as culturas se desenvolvem em uma espécie de sinergismo.

Ao colher a cultura agrícola, na entressafra, utiliza-se a área como fonte de alimento para o gado – a forragem de boa qualidade que seguiu a lavoura irá permitir um maior ganho de produtividade por área e, os animais, também irão contribuir com a lavoura devido a composição de suas excretas, favorecendo a ciclagem de nutrientes no solo e a melhoria da qualidade deste.

Existem basicamente 4 arranjos produtivos, sendo eles:

ILF – Integração Lavoura floresta ou sistema silviagrícola

IPF – Integração Pecuária Floresta ou sistema silvipastoril

ILPF – Integração Lavoura Pecuária Floresta ou sistema agrosilvipastoril

ILP – Integração Lavoura Pecuária ou sistema agropastoril

A configuração mais adotada é a ILP, presente em mais de 80% das propriedades que fazem integração, onde se integra lavoura e pecuária, geralmente a forragem já é semeada junto com a cultura agrícola e, na entressafra, utiliza-se como pastagem.

Mesmo com a ILP sendo a mais adotada nacionalmente, a ILPF é a técnica onde se encontram mais benefícios.

Com a ILPF, o componente arbóreo contribui no efeito de mitigação dos GEE devido ao sequestro do CO2 equivalente pelas árvores, e também com o bem estar animal.

Fonte: https://portalmatogrosso.com.br/

 

Benefícios

Com os sistemas integrados, é possível produzir mais carne em menos área, pois, o ganho por hectare é maior, o que leva ao benefício da intensificação da produção.

Diversos estudos apontam que a forragem produzida possui uma qualidade superior, garantida pelo efeito do sombreamento e as demais práticas de manejo, por exemplo a adubação da área. Com o sombreamento e melhor qualidade do solo, a pastagem apresenta melhor composição, levando ao aumento da digestibilidade e consequentemente do consumo, e alto teor de Proteína Bruta

A valorização do produto, chamada de Carne carbono neutro, devido ao efeito de mitigação dos gases do efeito estufa pelas árvores. Em um estudo conduzido pela Embrapa, foi observado que a utilização de ILPF em 15% da propriedade é suficiente para o efeito de mitigação.

Bem estar animal, que contribui também para o aumento da produtividade. Devido ao sombreamento e consequente microclima favorável resultante da presença do componente arbóreo, os animais ficam em uma faixa de conforto térmico. O animal não passa pelo estresse térmico que leva a diminuição do consumo e afeta diretamente a reprodução, melhorando os indicadores zootécnicos.

Diversificação da fonte de renda da propriedade pois, além da pecuária ainda é possível ter uma fonte extra de renda da lavoura e da silvicultura. Além disso, o excedente da lavoura pode servir como insumo para a produção de suplementos para os animais, reduzindo o custo com a compra de suplementação.

 

Cuidados ao implementar a técnica

Assim como qualquer manejo, é importante ter um planejamento antes de decidir implementar a ILPF.

Conhecer a região, realizar análises de solo, escolher espécies forrageiras adaptadas à realidade, são cuidados essenciais. É importante saber se na região existe mercado para as culturas agrícolas e para as árvores, e também se é possível realizar o escoamento dessa produção.

Quanto ao solo, as análises são importantes para planejar a correção adequada antes da implementação, e também de manutenção para garantir a longevidade do sistema.

Além disso, é muito importante planejar a implantação das árvores pois, o sombreamento excessivo pode ser prejudicial à pastagem e a lavoura por reduzir a entrada de luz, para tanto sempre manter um bom espaçamento entre as plantas.

Planejar as categorias animais que irão trabalhar também é um ponto chave pois, a superlotação das áreas também será prejudicial nestes sistemas.

Não existe uma fórmula ou um sistema pronto quando se trata de integração. Estes são apenas alguns cuidados e dados sobre a tecnologia, mas vale salientar que é necessário conhecer a sua propriedade e realidade para ter sucesso e garantir os benefícios ambientais e econômicos que podem ser alcançados pela técnica.

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