Preparação para a vacinação da Febre Aftosa

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Olá amigos leitores e produtores que seguem o nosso Blog da Pecuária do Futuro, hoje vamos falar um pouco sobre a vacinação que ocorre no mês de Maio na maioria dos estados, a vacinação da febre aftosa. Você já está preparado?

Para iniciar nosso texto, vamos falar um pouco sobre o que é a febre aftosa. Trata-se de uma doença infecciosa que pode ser causada por sete tipos de vírus, e é transmitida por um animal infectado via saliva, fluidos, fezes ou leite, mas também já se teve ocorrência de contaminação pelo ar em determinadas condições climáticas. E por ser altamente infectante, as medidas de contenção do vírus são bem rigorosas e devem ser seguidas à risca, principalmente em relação à vacinação.

A Febre Aftosa se caracteriza pela formação de vesículas ou suas formas de evolução (bolhas íntegras ou rompidas, úlceras e cicatrizes) na mucosa oral (gengivas, pulvino dental, palato e língua), nasal, nas mamas e entre os cascos. Os principais sinais/sintomas são febre alta, sialorreia (babeira), claudicação (manqueira), perda do apetite, enfraquecimento, descarga nasal e prostração. Ao se identificar um animal doente deve se isolar os animais infectados dos demais animais, e o local com os animais doentes deve ser isolado e higienizado, pois o vírus pode ser carregado para outras áreas com animais saudáveis por meio de pneus de maquinários, implementos e até pelo homem, e deve, obrigatória e imediatamente, comunicar ao serviço veterinário oficial mais próximo.

O Brasil já está livre da febre aftosa com vacinação desde 2018, e agora estamos progredindo para o nível livre de febre aftosa sem vacinação! É um caminho que já vem sendo projetado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) há algum tempo, e com todos fazendo a sua parte, vacinando seu gado, alertando o estado sobre ocorrência de casos, e enviando sua declaração de vacinação, logo logo todo o Brasil entrará nesse nível, visto que já que possuímos estados e áreas do nosso território nacional que já se encontra no nível livre de febre aftosa sem vacinação (a Instrução Normativa Nº 36, de 29 de Abril de 2020 cita as áreas do Brasil que já não se deve mais vacinar).

“Art. 1º Proibir a manutenção, a comercialização e o uso de vacina contra a febre aftosa no Estado do Rio Grande do Sul e no Bloco I do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PE PNEFA), constituído pelos Estados do Acre e de Rondônia, e pela região do Estado do Amazonas abrangida pelos municípios de Apuí, Boca do Acre, Canutama, Eirunepé, Envira, Guajará, Humaitá, Itamarati, Ipixuna, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e parte do município de Tapauá, e pela região do Estado de Mato Grosso, composta pelo município de Rondolândia e partes dos municípios de Aripuanã, Colniza, Comodoro e Juína.”

Fonte: Portal do Governo do Estado de Rondônia

 

Para chegarmos a uma pecuária lucrativa e produtiva devemos sempre explorar ao máximo o potencial de nossos animais e diminuir ao máximo as perdas em nosso rebanho, e essa doença é um grande problema para se chegar nisso, pois além da mortalidade dos animais, principalmente dos mais jovens, a recomendação é de sacrifício dos animais doente para reduzir a contaminação do restante do plantel e pelo fato dela conseguir acometer humanos, a transmissão é rara, mas pode acontecer fazendo assim dela uma zoonoses, então não podemos querer economizar em vacinas achando que o preço das mesmas são elevado, pois o preço mais elevado é se essa doença infectar todo ou grande parte do seu rebanho, e ter que sacrificar todos esses animais, ai sim sairá caro, então é melhor sempre prevenir do que remediar, e nesse caso não se há a opção de remediar, além de que focos de febre aftosa no país causam imediatas restrições na venda e exportação da carne, devido à preocupação de contaminação dos animais, mas seguindo todas as instruções divulgadas pelo governo não demorará muito tempo até todo nosso território nacional suspender a vacinação e tornarmos livre da febre aftosa sem vacinação, vamos fazer a nossa parte e conquistarmos isso juntos!

E agora que já falamos um pouco sobre essa doença bastante prejudicial ao nosso sistema de produção lucrativo vamos falar sobre o manejo da vacinação, antes da vacinação devemos nos preparar e preparar nossos colaboradores para tudo ocorrer bem, e nada melhor do que iniciarmos falando sobre as boas práticas de vacinação, como a boa preservação das vacinas, que quando adquiridas devem sempre ser de marcas confiáveis e de revendas autorizadas, e sempre deve ser checada a data de validade e mantidas bem conservadas na geladeira protegendo-as do aquecimento e do congelamento, quando congeladas devem ser descartadas, e a temperatura ótima de conservação fica entre 2ºC e 8ºC, e quando forem ser transportadas no dia da compra e quando forem ser levadas pro manejo de vacinação devem ser mantidas em caixa de isopor com gelo ou placas térmicas.

As agulhas devem ser escolhidas conforme as orientações de tamanho e calibração, e serem bem esterilizadas em água fervente por 15 minutos, e armazenadas em caixas de metal ou plástico, as agulhas devem ser trocadas a cada 10 animais, as reutilizáveis devem ser separadas para nova esterilização, e as descartáveis devem ser descartadas de forma correta, deve haver uma agulha exclusiva para retirar as doses da ampola, evitando a contaminação da ampola da vacina, deve-se manter os frascos de vacina dentro de caixa de isopor, abrigados da luz solar, quando a pistola não estiver em uso, mantê-la dentro da caixa de isopor, agitar o frasco de vacina antes de encher a seringa, eliminar as bolhas de ar da seringa após seu enchimento, e aplicar a vacina na tábua do pescoço, por via subcutânea ou intramuscular.

  • Subcutânea: Melhor local de aplicação é próximo à tábua do pescoço, ou na paleta, puxando a pele para aliviar a tensão e aplicando a vacina de cima para baixo, abaixo da pele paralela ao corpo do bovino.
  • Intramuscular: Devem ser aplicadas no musculo da tábua do pescoço, evitar a musculatura da garupa por conta de risco de lesionar o nervo ciático do animal, aplicar a vacina a 4-5 cm de profundidade em um único golpe firme e rápido.

Fonte: Sistema Faeb

 

O manejo da vacinação deve se ter um cuidado redobrado, pois como já é um manejo estressante para o gado devido estar no curral com muitos animais e ainda ter a vacinação, que se passa o animal pelo tronco, isso pode gerar um estresse muito grande que pode até diminuir a eficiência da vacina, então para melhorar esse ponto o manejo deve ser realizado sem pressa, mesmo que sabemos que sempre queremos terminar logo esse tipo de manejo, o “terminar logo” pode trazer muitos erros e muito estresse aos animais, ocasionando ate lesões nos animais, então todo o processo deve ser feito com calma, sem gritos e grandes barulhos, e os animais devem ser conduzidos ao brete com calma, e deve-se tentar dividir os animais para não colocar todos os animais nas mangas do curral e ficarem ali por muito tempo aumentando o estresse desses animais, então deve se colocar um tanto de animais de modo que eles não fiquem muito tempo aguardando pelo manejo, isso diminuirá bastante o estresse nesses animais. E após a vacinação conduza esses animais calmamente para seus pastos, onde possua sombra e disponibilidade de água, preze sempre por um manejo calmo para não diminuir a imunidade desses animais com o estresse.

Deve se ter cuidado nas aplicações para não lesionar o animal por conta de falta de higiene ou erros de aplicação, pois lesões podem causar descarte de partes da carcaça do animal, diminuindo o valor do mesmo, o cuidado com a compra dos aplicadores é muito importante, pois além de um equipamento ruim poder causar muitos desperdícios pode ainda causar lesões nesses animais, então uma atenção maior deve ser dada a isso. As vacinas não devem ser combinadas a não ser que sejam recomendadas pelo fabricante, mas é possível administrar mais de uma vacina no animal alternando o local de aplicação, e com pistolas ou seringas diferentes!

Animal com protuberância de possível abscesso vacinal / Foto: Governo de Rondônia
Fonte: Compre Rural

 

Nas aplicações com seringas é recomendado após introduzir a agulha no animal puxar o embolo e verificar se não há entrada de sangue na seringa indicando que você está em um possível vaso sanguíneo, neste caso retire a seringa e aplique novamente em outro local.

Chegamos ao fim de mais um texto, e com isso vem a gratificação da JetBov em poder ter contribuindo com pelo menos um pouco de informação para você nosso leitor e produtor que está à caminho da pecuária lucrativa e produtiva, esperamos que nossos textos contribuam com a sua caminhada até a alta lucratividade. Dê uma bisbilhotada em nosso Blog da Pecuária do Futuro, lá você entrará diversos textos sobre variados assuntos para se chegar à pecuária lucrativa e produtiva!

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