O que fazer para evitar falhas no manejo do seu rebanho?

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O manejo é, na maioria das vezes, algo estressante para o animal, mesmo aqueles de raças mais dóceis, como o nelore. E animal estressado sofre impactos temporários no ganho de peso, algo visto como algo negativo pelos pecuaristas de corte.

Ao mesmo tempo, existem manejos que não podem ser evitados, como as  vacinações obrigatórias, que rendem pesadas multas e embargos para o pecuarista que não aderir. Existem também manejos que, apesar de não serem obrigatórios, podem trazer uma melhor visão sobre como seu rebanho está, quais animais precisam de algum tipo de ação específica, e que no fim podem trazer melhores resultados financeiros para sua fazenda de gado de corte. Mas como garantir um manejo correto? É sobre isso que falaremos nesse post!

A separação por lotes

Para que o seu rebanho seja manejado da melhor forma possível, o primeiro cuidado que você deve ter é separar os animais em lotes homogêneos, levando em consideração sexo, idade, raça, tamanho, ECC (escore de condição corporal) peso.

A separação por lotes homogêneos é recomendada pois no meio animal há disputas naturais por dominância, para que o líder do bando seja escolhido. Em lotes homogêneos essas disputas não acontecerão, ou somente em raros casos. Sem essas disputas, o manejo já será muito menos estressante para o animal.

Essa separação também auxilia na alimentação do lote, que normalmente terá as mesmas características nutricionais, além de não ocorrerem situações como animais maiores impedindo os menores de se alimentarem – em que animais podem ser pisoteados e feridos com gravidade.

Fonte: publique.com

Com essa separação homogênea, o trabalho de passar os animais pelo tronco também fica muito mais fácil, pois ao identificar o animal líder, é possível guiá-lo ao local desejado, e os outros animais irão o seguir, evitando assim uma grande carga de stress ao lote.

Quais manejos eu devo realizar no meu rebanho?

A resposta para essa pergunta vai depender mais da região em que sua fazenda se situa. Mas, em geral, existem as épocas das águas, das secas, da cria, da recria e da engorda, além dos manejos sanitários de transporte.

O que fazer na época das águas?

Nessa época a pastagem para os animais é farta, e alguns produtores optam por não suplementarem a alimentação do rebanho.

Fonte: agroceresmultimix.com.br

Mas é necessário atenção ao pasto para que ele não passe da hora! O ideal é que os animais consumam mais ponta de capim, pois assim irão obter um melhor aproveitamento nutricional (fizemos um webinar sobre esse tema, e você pode assisti-lo AQUI). Quando o capim está grande, já produzindo sementes, ele está passando da hora. Se isso acontece em seu piquete, o ideal é que se aumente o número de animais presentes nele, para que ele seja rebaixado, e que não seja necessário o replantio do pasto.

Apesar da abundância da pastagem na época das águas, recomenda-se o uso da suplementação com sal mineral ureado, para que os bovinos de corte produzam mais. Vale lembrar que o sal deve ficar em local coberto, para que não ocorra fermentação pelo contato com a água das chuvas.

O que fazer na época da seca?

Quando não há chuva, o capim não sustenta os animais como ocorre na época das águas. Para que não haja perda de peso em seu rebanho (e consequentemente prejuízo para sua fazenda de gado de corte), o recomendado é a suplementação com proteinado.

Fonte: tecnologiaefloresta.com.br

Contudo, vale frisar: essa suplementação visa evitar a perda de peso do rebanho. Para que exista ganho de peso, o gasto com suplementação será muito maior, o que pode levar a um aumento do custo da @ produzida – e consequentemente, a um prejuízo ao pecuarista. Por isso, é importante avaliar juntamente com um profissional qual é a melhor estratégia para seu rebanho.

A fase de Cria

Trata-se da época de reprodução até o desmame dos bezerros, que se dá de seis a oito meses de vida do animal. A reprodução pode ocorrer por monta natural ou por inseminação artificial, de acordo com a estratégia adotada pelo pecuarista de corte.

Em fazendas que utilizam a inseminação artificial vem sendo comum a adesão de protocolos que garantem o cio das matrizes na mesma época, o que permite a inseminação de várias vacas no mesmo dia, com grandes chances de êxito.

Após o diagnóstico de prenhez, o ideal é separar os lotes em matrizes prenhas e não prenhas, para que seja mais fácil a observação dos animais quando os bezerros nascerem.

É importantíssimo que o pecuarista esteja atento ao parto e aos cuidados com os recém-nascidos, como citamos neste outro post de nosso blog.

A fase de Recria

Essa fase ocorre após a desmama do bezerro, que deve ser separado da mãe e, de preferência, receber uma dieta específica para o ganho de peso deste animal.

Quando separados da mãe, tanto matrizes quanto bezerro sofrem estresse, o que pode ocasionar perda de peso em ambos os animais. Para evitar essa perda de peso, também recomenda-se suplementação específica.

Fonte: tecnologianocampo.com.br

Os manejos no tronco

Diversos tipos de manejo podem ser realizados no tronco, como manejos sanitários (vacinações, cura de machicados, mochação, cura de umbigo, etc.), manejos de inseminação, diagnóstico de prenhez, separação de lotes, entre outros.

Fonte: comprerural.com

Independentemente de qual manejo virá a ser realizado, é importante que todo o material que será utilizado seja organizado antes do início do processo. Com isso, o animal fica o menor tempo possível no cocho, tendo uma menor carga de stress.

Primeiro, liste tudo o que será utilizado. Em seguida, confira se sua fazenda conta com todos os itens necessários. Depois, leve esses materiais para o curral ou para o local em que será realizado o manejo. É importante observar também se todos os itens estão higienizados da forma correta, para somente então deixá-los de prontidão para o uso.

Além disso, é necessária uma revisão do brete, para garantir que todas as porteiras e todos os equipamentos usados para conter o animal estejam funcionando em perfeito estado. Fazendo essa checagem, você estará diminuindo a chance de acidentes que podem ocorrer no local, evitando possíveis problemas com seus funcionários e com seus animais! Segurança nunca é demais!

Fonte: agroin.com.br

Manejos que podem ser realizados sem que haja a contenção ou imobilização total do animal devem ter preferência a serem realizados desta forma. Pois assim o manejo ocorre de forma mais rápida e gera menos estresse ao animal.

Passar animal por animal no brete imobilizando-os, sem que haja a real necessidade, gera mais estresse ao animal e o trabalho se torna mais difícil e demorado.

Fonte: revistagloborural.globo.com

Ao tocar os animais, devemos sempre nos atentar ao líder do bando. Com isso, será mais fácil guiar o restante dos animais.

Não devem ser usados objetos afiados para toca-los ou dar pancadas nos mesmos a fim de obtermos o que queremos, pois, assim o estresse será maior, haverá dificuldade em obter a cooperação dos animais, e haverá mais riscos de acidentes.

Fonte: sementesoesp.com.br

Quanto menos movimentos bruscos você fizer durante o caminho do campo até o curral, menor será o stress nos animais – e menor será o impacto sobre o ganho de peso destes animais!

Posso fazer o manejo sozinho?

Mesmo que seu rebanho seja composto de animais dóceis, ainda assim são animais que pesam centenas de quilos, portanto há sempre o risco de acidentes. Por isso, nunca é recomendado fazer um manejo sozinho.

Ao mesmo tempo, o excesso de pessoas no local do manejo também pode gerar estresse aos animais, pois além do manejo ser algo fora da rotina destes, o barulho em excesso e as pessoas na visão dos bovinos deixam os animais mais agitados, e pode acabar por atrapalhar o trabalho sendo realizado no curral.

O ideal é que estejam presentes duas ou três pessoas durante o processo de manejo.

O transporte dos animais

Para o transporte animal devemos nos atentar a forma de manejo em diversos pontos. O primeiro passo é guiar os bovinos calmamente até o embarcador, para que não haja atropelos ou danos aos animais. O temperamento animal ao embarcar influencia o comportamento dele durante todo o trajeto que irá percorrer.

Os animais devem entrar hidratados para a viagem, principalmente se forem enfrentar longas distâncias.

Fonte: comprerural.com

Em seguida, observe se o veículo possui uma boa condição para acomodar todos os animais. Atentando-se para a taxa de lotação do veículo, você evitará acidentes, evitando esmagamentos e até mesmo óbitos, em caso de excesso, ou risco de quedas, em caso de baixo número de animais.

A quantidade ideal de se colocar no transporte é a que os animais tenham um espaço para si, mas não fiquem folgados nem apertados demais no veículo. É recomendado que não se permita com que os animais deitem nos caminhões para não serem pisoteados e mortos.

Lembrem-se, os animais são sua fonte de renda. Quanto mais estresse sofrerem, menor será a produção. Quanto mais pancadas levarem, menor será o rendimento de carne e carcaça do bovino.

Fonte: greenmeatexport.com

Todo e qualquer produtor visa produção e lucratividade e um bom manejo, realizado de forma correta tem tudo para dar certo e gerar mais lucro a você, produtor!

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