Como realizar uma boa adubação de seu pasto?

Tempo de leitura: 12 minutos

Olá queridos amigos leitores e produtores que acompanham o nosso blog da Pecuária do Futuro!

Hoje iremos abordar um tema que com certeza tem muita importância para o sucesso da fazenda produtiva: a adubação das áreas de pastagem!

Trata-se de uma das formas que podemos recuperar a nossa produção, recuperando as áreas que já não são tão produtivas devido a baixa fertilidade do solo (e até mesmo intensificando a produção impulsionando o crescimento do capim com adubações nitrogenadas, por exemplo), e hoje nesse post vamos tentar abordar melhor esse assunto para você, produtor que ainda não domina muito esse assunto, sair daqui explicando para os amigos, e para os que já sabem vamos tentar incrementar mais alguns conhecimentos… siga com a leitura!

Por que adubar?

Com o passar do tempo, aquele solo que era bastante produtivo, talvez até o melhor da fazenda, deixou de ser produtivo. O seu desempenho já não agrada mais o produtor, ou ele encheu de invasoras e acabou também deixando a desejar na produtividade.

Isso quase 100% das vezes acontece por conta da diminuição da fertilidade desse solo, pois as plantas que estão ali cobrindo aquele solo estão a cada momento retirando nutrientes do solo para produzir folhas, ou qualquer produto que venham delas, e com o tempo ela vai esgotando as reservas de nutrientes do solo, mesmo que um dia aquele solo foi super fértil um dia ele vai se esgotar, e com essas reservas diminuindo, diminui também o vigor e o potencial de produção da planta que está ali cobrindo aquele solo, e com essa diminuição de vigor ela dá espaço de luz para outras plantas menos exigentes em fertilidade nascerem ali (que no caso a maioria das vezes são as daninhas), e com o aparecimento de uma, não demora muito para ela completar seu ciclo e espalhar sementes, fazendo desse modo infestar essa área com daninhas, tornando cada vez mais alto o nível de degradação do seu pasto.

Por isso se recomenda realizar a amostragem de solo e a correção de solo pelo menos uma vez por ano, ou a cada vez que for mudar a espécie ali plantada, e para áreas mais intensificadas onde se usa bastante adubação nitrogenada, se recomenda uma análise de solo a cada 5-6 meses.

Como reduzir a necessidade de adubação?

Sim, é possível reduzir a necessidade de adubação de uma área através do manejo aplicado a ela, mas apenas reduzir a necessidade, tornando os intervalos entre adubações maiores.

Isso é possível devido à ciclagem dos nutrientes, pois o que aquela planta retirou do solo de nutrientes e transformou em produto, como folhas por exemplo, se não forem consumidas por animais, irão morrer, cair ao solo, mineralizar por processos de decomposição de matéria orgânica e os nutrientes que um dia foram extraídos do solo para realizar a formação daquela folha irão retornar ao solo novamente. Isso talvez não ocorra em sua total quantidade, mas já em quantidade suficiente para diminuir a necessidade de uma correção de solo.

Contudo, se a folha for consumida, os nutrientes que ela retirou do solo para se formar também retornam ao solo, claro que em uma menor quantidade que se ela não fosse consumida, mas retorna já em uma boa quantidade para se reduzir a necessidade de adubação se for bem manejado onde se vai ter esse retorno no solo. Isso vai ocorrer por meio de excretas, urina ou fezes, porém a maior dificuldade é manejar onde elas serão depositadas, já que não temos como controlar onde os animais irão urinar ou defecar.

Mas isso é possível com o dimensionamento de piquetes não muito grades e quadrados. Alguns estudos mostraram que a deposição dessas excretas acontecem mais bem divididas dentro do piquete, fazendo assim uma adubação pelos animais de forma mais bem distribuída, e não causando manchas de fertilidade só em uma parte, que é o que causa dificuldade de manejo do capim.

Uma das práticas que atrapalham essa boa ciclagem de nutrientes é a utilização do fogo nestas áreas, que além de matar as varias espécies de microrganismos que futuramente iriam decompor e mineralizar a matéria orgânica de volta para o solo também queima toda a massa que seria decomposta futuramente, transformando-a em cinzas e o vento fazendo o trabalho de levar aqueles nutrientes para outros lugares, fazendo assim encurtar cada vez mais os intervalos de correções de solo.

Além disso, outras práticas que melhoram a ciclagem de nutrientes é uma boa suplementação animal, que acaba melhorando a “fertilidade” das excretas daqueles animais, fazendo assim que eles “adubem” melhor a área onde estão com suas excretas, e a prática de adubar frequentemente seu pasto acelera essa ciclagem de nutrientes no solo, tendo em mente que a adição de nitrogênio no solo aumenta a taxa de mineralização da matéria devido o maior crescimento da planta e maior deposição de folhas mortas no solo, fazendo assim acelerar essa ciclagem de nutrientes.

Como realizar uma amostragem de solo?

Primeiramente devemos separar os talhões de amostragens, as áreas onde iremos fazer varias coletas simples para misturar todas e retirar apenas uma amostra composta para representar aquela área, devemos dividir essas áreas levando em consideração a quantidade de areia no solo, a cor do solo, o tipo de vegetação que tinha antes, o relevo, ou outras características relevantes…

Fonte: https://cocapec.com.br/noticias/amostragem-de-solo-como-separar-e-enviar-ao-laboratorio/

Depois de separado as áreas, chega a hora da coleta, nesse momento você deve realizar de cada área separadamente, não utilizar recipientes sujos, recipientes enferrujados, ou sacos de adubos para depositar as amostras, no momento da coleta você deve se atentar a coletar o tanto de amostra que definirá a área inteira quando forem misturadas todas as amostras (+/- 20 pontos por talhão), coletando pontos de forma aleatória de forma que você possua um ponto de coleta em cada pedaço do talhão (como está representado na imagem abaixo pela linha vermelha).

Fonte: https://agropos.com.br/amostragem-de-solo/

As amostras devem ser feitas com ferramentas de coletas de solo ou com um enxadão e uma pá que é uma das formas mais utilizadas, com o enxadão você devera cavar um buraco no solo onde ele tenha profundidade de 0-20cm, ou 0-40cm, ou 20-40cm, depende de qual é o seu objetivo, normalmente para pastagens se faz 0-20cm, porem para se realizar gessagem é necessário amostragem de 0-40cm. Para um melhor conhecimento do perfil do seu solo recomendamos a amostragem de 0-20cm e de 20-40cm, mas fica a critério do produtor conforme será seu objetivo.

https://agropos.com.br/amostragem-de-solo/

Após decidir qual será sua profundidade de amostragem e fazer o buraco no solo com o enxadão, você deverá limpar a terra solta no fundo do buraco para não misturar com a que cairá para a coleta, e retirar a matéria orgânica que está acima do solo, ai com a pá você irá retirar um camada de 3cm de espessura +/-, e irá colocar em um recipiente, e assim você irá fazer para todos os pontos desse talhão que você está coletando, após terminar a coleta de todos os pontos desse talhão você deverá com alguma ferramenta, ou com as mãos mesmo misturar a terra que está no balde referente a todas as amostras simples que você coletou desse talhão e assim fazendo uma amostra composta, e desse balde você irá retirar em torno de 300g a 500g para ser enviada para análise, normalmente os laboratórios de analises fornecem sacos plásticos ou sacos de papel para você colocar amostra, identifica-la corretamente de qual talhão que é, e qual a profundidade de coleta, e enviar para o laboratório, mas se não for fornecido lembre de colocar em um saco plástico e não fecha-lo para não ficar umidade ali dentro, ou colocar em um saco de papel, lembre-se de sempre identifica-lo bem para saber de qual área é aquela amostragem e qual a profundidade dela, repita esse mesmo processo em todos os talhões!

Fonte: https://revistacampoenegocios.com.br/e-hora-de-fazer-analise-de-solo/

O que fazer com o resultado das amostragens de solo?

Enfatizamos que o processo de correção do solo deve ser acompanhado por um profissional da área, pois além de cada tipo de solo ter uma recomendação de disponibilidade de nutrientes diferente e de recomendações de correções diferentes, se essa recomendação de correção não for correta pode trazer prejuízos gigantes para essas áreas, até mesmo tornando essas áreas inférteis devido a overdoses de nutrientes. Então recomendamos que procurem um profissional da área com os resultados das analises em mãos e peça uma recomendação de correção de solo conforme seus objetivos nas áreas amostradas, normalmente é possível se ter essas recomendações nos laboratórios onde serão feitas as analises.

Hora da adubação

Na hora de realizar a adubação é a hora que temos que ter bastante cuidado com as regulagens, pois não adianta nada fazermos a amostragem corretamente e nem ter uma boa recomendação se não é feita a devida regulagem dos equipamentos.

No caso da adubação feita por plantadeiras, temos a tabela de regulagem ao lado da caixa de engrenagens, onde na tabela é possível regular a dosagem necessária por hectare trocando as engrenagens do eixo motor e do eixo movido.

Mesmo com as recomendações das engrenagens devemos testar se a calibragem está correta, para saber se usamos mesmo essas engrenagens ou outras, para isso devemos saber a dosagem de adubo por hectare, e o espaçamento entre linhas.

Exemplo:

Espaçamento entre linhas: 0,50m

Dosagem de adubo por hectare: 300 kg

Começamos dividindo os 10.000m² de um hectare por metros lineares, que no caso é o tamanho do espaçamento entre linhas: 10.000m² ÷ 0,50 =20.000m lineares possui um hectare.

Após isso iremos utilizar 50 metros para fazer a calibragem, então vamos fazer uma regra de 3, de forma que se em 20.000m a dose é 300 kg, quantos kg utilizamos em 50m?

Ficando a conta dessa forma:

20.000m ———- 300 kg

50m —————- X

(50×300)÷20.000 =750 gr

Então concluímos que para a regulagem da maquina estar em 300kg por hectare, temos que ter 750gr por linha em 50 metros percorridos, então demarcamos a distância com estacas, colocamos sacos na boca de saída de adubo de cada linha e percorremos os 50 metros, após isso misturamos a quantidade de adubo de todos os sacos e dividimos o peso pelo número de bocas de saída de adubo que foram tampadas, se a média estiver próximo desse valor de 750 gramas por exemplo, a maquina está devidamente regulada, se não, devemos trocar as engrenagens e realizar de novo o processo de calibragem.

E no caso da adubação ser realizada à lanço a regulagem é um pouco diferente, devemos escolher uma marcha de trabalho, que seja acima de 1600rpm, após isso descobriremos qual é a largura de alcance do lanço, ai iremos cronometrar um tempo que gastamos para percorrer 50m, salvo esse tempo iremos parar o trator, colocar um saco na boca da lançadeira e opera-la pelo tempo gasto para percorrer os 50m, ou percorrer esses 50m com o saco na boca da lançadeira, e após isso iremos pesar a quantidade de adubo que se encontra no saco.

Ai iremos para as contas, por exemplo, se a largura do lanço está em 10m e percorremos 50m, concluímos que adubamos uma área de 500m², supomos que no saco se encontra 12 kg de adubo que seria a quantidade jogada nessa área, então jogamos esses valores em uma regra de 3, tendo em conta que em 500m² eu adubo 12 kg, quantos kg eu adubo em 10.000m²?

A conta ficaria assim:

500m² ——————– 12 kg

10.000m² —————- X

(10.000×12)÷500 =240 kg por hectare

E a partir desse resultado vamos regulando se aumentamos a velocidade ou diminuímos, ou se aumentamos a distribuição da lançadeira, e depois realizamos esta calibragem mais uma vez para ter certeza que a lançadeira esta calibrada corretamente.

É possível realizar a conta inversa também por regra de 3, por exemplo se você precisa jogar 300kg de adubo por hectare é só fazer a regra de três mudando os termos, sendo:

Em 10.000m² eu jogo 300 kg, quantos kg eu jogo em 500m²?

10.000m² ————— 300 kg

500m² ——————- X

(500×300)÷10.000 =15 kg.

Ai concluiríamos que nesse espaço de 50m você deveria ter no saco 15 kg de adubo, ai é só você ir ajustando a velocidade ou a distribuição da lançadeira para poder chegar nesse numero, e sua maquina estará calibrada para lançar 300 kg por hectare na velocidade que você encontrou.

Referências:

Professor Manoel Eduardo Rozalino Santos.

Livro Forragicultura: Ciência, Tecnologia e Gestão dos Recursos Forrageiros.

Livro Recomendações Para O Uso De Corretivos E Fertilizantes Em Minas Gerais 5º Aproximação

E então, amigo pecuarista e leitor do nosso blog da pecuária do futuro, conseguimos esclarecer melhor esses pontos sobre adubação para vocês?

Esperamos que tenhamos conseguido trazer informações novas para vocês e esperamos que essas informações sejam de grande serventia para deixar a sua fazenda ainda mais produtiva e lucrativa, agradecemos a sua leitura e pedimos que fique conosco, aguarde nosso próximo post que vamos continuar trazendo novas informações e bons conteúdos a vocês.

Que a alta produtividade e lucratividade esteja contigo, amigo produtor! Até mais!

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