Exportações de carne bovina mantém preços elevados no mercado interno

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Além das exportações em alta, a menor oferta de boi pronto para abate também contribuem para elevar o preço da proteína

Nas últimas décadas, o mercado de carne bovina registrou um crescimento significativo. No Brasil, essa evolução aconteceu principalmente pelos investimentos dos pecuaristas em genética e também pelas inovações e tecnologias voltadas ao setor.

Esse avanço registrou um crescimento acima de 45% entre 1980 e 2018, levando em consideração o comportamento mundial do consumo de carne de boi, já que os brasileiros ainda consomem menos carne bovina do que muitos outros países.

Ainda em 2019 houve um aumento no preço da carne, movido, principalmente, pela China, que passou por uma crise no setor de carne suína (a mais consumida por lá).

Levando em conta que nenhum país teria a capacidade de fornecer carne suína para os mais de 1 bilhão de habitantes do país, a saída da China foi comprar carne bovina; a qual tem como maiores produtores os Estados Unidos, o Brasil e a Austrália.

Além das exportações para China, outro fator que influenciou o preço da carne desde o final de 2019 foi a oferta restrita de bovinos no Brasil, somado ao aumento da procura por carne no fim do ano e o dólar alto.

Em 2020, o cenário não foi diferente. Até outubro, a carne bovina ainda registrava altas nos preços, puxados principalmente pela alta da arroba do boi gordo (que, por sua vez, foi ocasionada pela menor oferta de animais para abate) e as exportações de proteína em alta.

O Brasil se mantém como maior exportador de carne bovina do mundo, apesar de o consumo interno representar a maior parte desse mercado, com cerca de 80% da produção permanecendo no mercado interno. Porém, essa produção em larga escala não garante a estabilidade do valor da carne, tanto para o gado vivo quanto para o produto final.

Por exemplo, quando se trata de gado vivo, têm influência a raça, o peso e a finalidade a que se destina. Já o produto final terá seu valor oscilando de acordo com o corte, a qualidade, o contexto econômico e até o ICMS (Imposto sobre circulação de Mercadoria e Serviços) sobre o alimento.

Dessa forma, o valor ligado à pecuária fica sujeito a diversos fatores. A economia, por exemplo, quase sempre é a responsável pelo aumento do preço da carne. E, em um cenário de pandemia como o ocasionado pela Covid-19, um poder aquisitivo mais baixo faz com que a carne esteja cada vez menos presente nos lares brasileiros. Assim, quando a oferta é maior que a procura, pode haver um recuo por parte das indústrias.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estima um aumento de 1,9% ao ano na taxa de produção da carne bovina até 2028. E esse aumento deve continuar atendendo o mercado interno e externo, sendo que também é esperado aumento de 2,6% para as carnes suína e de frango.

Fica evidente, então, uma realidade sobre o consumo da carne bovina, que nunca foi escolhida pelo preço, tendo em vista que as carnes de frango e de porco são mais baratas. Isso porque o sistema de produção da pecuária bovina é mais lento e caro que os da suinocultura e avicultura, já que mais tecnologia é aplicada aos sistemas de criação.

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