Passo a passo: calculando o custo por @ produzida na fazenda!

Tempo de leitura: 7 minutos

Olá amigo pecuarista!

Hoje vamos abordar um assunto muito interessante que é super importante para o planejamento financeiro da sua propriedade. Vamos falar sobre como calcular o custo da arroba que você produz aí na sua propriedade.

Você já realiza esse cálculo? Se a resposta for não, pode ficar tranquilo que hoje aqui no Blog da Pecuária do Futuro vamos te auxiliar como fazer esse cálculo!

Primeiramente, para conseguirmos realizar esse cálculo, devemos possuir registro de todos os gastos que temos em nossa propriedade (mas lembre-se: se em sua propriedade houver outra atividade além da pecuária de corte, você deve utilizar no cálculo apenas os gastos envolvidos com a pecuária!). Além disso, também vamos precisar do registro dos dados zootécnicos dos animais, como o peso de entrada e o peso de saída desses animais.

Resumidamente, como vai funcionar: iremos pegar o valor dos gastos que temos no ciclo inteiro da produção desses animais, da chegada deles até a saída, e vamos dividir esse custo pelo número de arrobas vendidas nesse mesmo ciclo, assim chegaremos ao quanto custou para nós cada arroba.

A partir disso podemos definir diversas estratégias e metas dentro de nossa propriedade, desde decisões de corte de alguns custos, até decisões de aumentar custos, para assim poder aumentar ainda mais os lucros, ou apenas mudanças estratégicas, mas ai é algo que cada fazenda vai ter suas próprias metas e objetivos.

É importante termos em mente na hora de realizar essas contas que não podemos deixar gastos passar despercebidos e nem deixar de contabilizar gastos acreditando que serão insignificantes na conta, pois para a conta representar realmente a realidade da atividade, devemos fazê-la de forma correta. Só assim poderemos estabelecer metas e novas estratégias a partir dessa conta, por isso devemos realiza-la com cautela, e se houver dúvidas referentes ao resultado devemos refaze-la novamente do zero para não haver sustos sem necessidades.

Fonte: Freepik

Outro ponto é o cálculo de depreciação que é importantíssimo, mas se na propriedade não se guarda reservas de depreciação é importante mesmo assim tê-las na conta, mesmo que iremos englobar tal reserva como lucro, pois só assim teremos ideia do lucro verdadeiro.

O cálculo de depreciação é o valor dos equipamentos e instalações que utilizamos na nossa produção menos o valor residual deles como sucata dividido pelos meses de vida que provavelmente ele irá durar ou permanecer conosco, esse valor é tido como custo e guardamos ele em uma conta separada como reserva a ser usada na hora de realizar manutenções ou aquisições.

Agora veremos alguns pontos dessa conta, devemos dividir os gastos em duas partes para ficar mais fácil se realizar a conta, vamos dividir em custos fixos e custos variáveis.

Custos Fixos:  são aqueles que permanecem constantes, que independente da quantidade de arroba produzida, ou da quantidade de animais que estiver na fazenda, ele continua o mesmo, eles fazem parte do negócio. Como por exemplo, depreciações, conta de energia, salários fixos de funcionários, etc.

Custos Variáveis: são aqueles que podem variar dependendo da quantidade de arrobas produzidas, ou da quantidade de animais que estiverem na fazenda. São custos que podem ter em alguns meses e outros não, e podem variar os valores. Como por exemplo gastos com nutrição, vacinação, combustível de maquinários, mão de obra de fora, insumos, custos administrativos, salário/retirada do proprietário.

Fonte: Embrapa

Agora que dividimos o que vai entrar em custos fixos e custos variáveis, vamos só falar um pouco sobre a depreciação e como ela funciona para podermos entrar nos cálculos propriamente ditos.

A depreciação é o valor que guardamos todo mês como se fosse um custo por utilizar o equipamento ou benfeitoria que possuímos, mas na verdade guardamos o valor do desgaste dela, para que quando houver necessidade de alguma manutenção ou a troca do bem não termos um problema de caixa, pois a cada mês que passou guardamos um valor estimado de depreciação desse bem, para calcular essa depreciação podemos usar a seguinte função:

Depreciação= ( Valor inicial – Valor final ) ÷ Vida útil

Onde “valor inicial” seria o valor pago na compra bem, o “valor final” seria o valor de sucata, e a “vida útil” é o período que você pretende ficar com o bem, ou o tempo previsto para esse tal bem chegar ao seu fim de utilização.

Dados como valor final, valor de sucata, vida útil, você pode encontrar facilmente na internet, além de ser possível se obter esses dados com a vivência do dia-a-dia. Normalmente é utilizado 10% do valor inicial para o valor final de implementos e maquinários, e 5% para instalações, e itens como cercas, pastagens ( depreciação da fertilidade/adubação realizada), reservatórios, cochos, bebedouros e similares não possui valor final, se deprecia por inteiro, sendo o Valor inicial ÷ Vida Útil.

Explicado esses pontos vamos as contas de fato, supomos uma situação onde uma fazenda de pecuária de recria possui 330 animais que passam o período de 360 dias na propriedade, entrando com 180kg de peso médio e saem com média de 375kg, sendo produzido em média 13@ na propriedade, os gastos seguem listados nas tabelas abaixo:

Abaixo demonstramos o custo anual com depreciações:

Abaixo demonstramos os gastos fixos e variáveis de um mês dessa propriedade:

Para realizarmos o cálculo do quanto custa a nossa produção por @, iremos pegar os custos fixos e variáveis de todos os meses que os animais que vendemos passaram na fazenda e iremos somá-los e depois dividi-los pelo número de arrobas que vendemos.

Como possuímos um ciclo de 12 meses, iremos pegar todos nossos custos desses 12 meses e dividir por 8.250, pois como vendemos nossos animais com média de 375kg (25@) e em média possuímos uma lotação de 330 animais, isso nos dá um total de 8.250@ em média.

A partir dessa conta, podemos chegar a conclusão que cada arroba nossa custou R$249,60 para nós, isso já contabilizando o valor de R$90.280,00 que é recolhido por ano para guardamos em uma conta separada, que será usada quando for necessário realizar alguma aquisição ou manutenção, e o valor de R$96.000,00 que é referente as retiradas/salários do dono. Desse modo até se o valor de venda da arroba fosse igual ao valor do custo dela de produção (R$249,60), lucro 0, ainda possuiríamos um negócio sustentável, pois todo mês há a retirada do salário do dono, o pagamento de todas as contas e salários e ainda é guardado um valor para futuras manutenções e aquisições.

Se não contabilizarmos a retirada do proprietário e o custo das depreciações a nossa @ custaria R$227,60, mas pela sustentabilidade do empreendimento não recomendamos essa prática, pois possuindo uma retirada do dono de valores não muito variados e guardando sempre o valor das depreciações é possível criarmos um fundo de caixa da propriedade para futuramente conseguirmos crescer ainda mais o nosso empreendimento.

Como por exemplo, se vendermos nossos animais por R$305,00 a @, que é o valor aproximado da @ no momento, iremos conseguir o valor de R$2.516.250,00, descontando o custo operacional de R$2.059.222,00 iremos possuir o lucro verdadeiro de R$457.028,00 (já considerando a retirada mensal do dono e os custos de depreciações) Dessa forma, podemos deixar esse lucro verdadeiro no fundo de caixa da fazenda para futuros investimentos!

Cabe lembrar que os valores de fundo de caixa e de depreciações devem ser guardados em contas separadas ou possuir um bom gerenciamento de caixa, para ser possível separar efetivamente tais valores.

Nós da JetBov esperamos que com a ajuda desse texto você consiga descobrir qual o custo da sua @ e a partir disso você conseguir traçar melhor os seus planos e objetivos para sua propriedade, e consequentemente possuir uma gestão mais eficiente e evolutiva!

Desejamos que a alta lucratividade e a alta produtividade sempre esteja contigo, amigo pecuarista!

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