Cigarrinhas no pasto: aprenda a evitar!

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Olá amigo produtor e leitor do Blog da JetBov, a sua amiga número 1 quando o assunto é gestão de pecuária.

Hoje vamos abordar um assunto bastante importante quando tratamos de alta produtividade, pois ela, a cigarrinha das pastagens, é uma grande inimiga da produção – e muitas vezes se torna uma dor de cabeça para os produtores. Falaremos melhor sobre este assunto e te passaremos algumas dicas para você saber como lidar com isso na sua fazenda.

Fonte: Giro do Boi

O aparecimento das cigarrinhas em nossas pastagens traz diversos problemas. Além de reduzir a capacidade produtiva dos pastos, comprometer a alimentação dos animais e diminuir o valor nutricional, elas também causam o amarelamento das touceiras de capim, por conta de uma toxina que é injetada quando é feita a sucção da seiva. Com isso, diminui o vigor do pasto provocando o surgimento de plantas daninhas, e em alguns casos até a morte da touceira.

Fonte: https://pt.engormix.com/pecuaria-corte/artigos/cigarrinhas-pastagens-t37523.htm

Já pode se ter ideia do tamanho da dor de cabeça do produtor que tem problema com esse inseto. Normalmente, surge com a chegada das chuvas, quando os ovos deixados pelos insetos adultos, no final do período chuvoso passado, ganham condições para eclodirem.

Quando pensamos que teremos uma maior produção, com a chegada da chuva, esse inseto aparece como vilão. Por isso, vamos te ensinar métodos de como prevenir a infestação deste inseto, para que algum dia, não seja problema para você – e como resolver caso já possui problema com cigarrinhas.

https://pt.engormix.com/pecuaria-corte/artigos/cigarrinhas-pastagens-t37523.htm

Para evitar as cigarrinhas, o melhor mesmo é o bom manejo do pasto e o uso de cultivares de capim mais resistentes aos ataques dos insetos. Indicamos para se evitar a proliferação desse inseto, manejar o capim de forma que ele se mantenha em uma altura que não proporcione um clima úmido na base da touceira, e não possua sobras de pastos – que futuramente originará um aumento de material morto, além de maior umidade na base da touceira do capim. Consequentemente, isso proporciona melhores condições de eclosão dos ovos, para isso, o bom ajuste da carga animal nos pastos é de extrema importância.

O super pastejo também é desfavorável, por isso, deve-se ter um cuidado redobrado com a taxa de lotação. A diversificação das pastagens com cultivares, como essas listadas abaixo tem trazido ótimos resultados na prevenção das cigarrinhas:

  • Brachiaria brizantha cv. Marandu
  • Brachiaria brizantha cv. Piatã
  • Andropogon gayanus cv. Planaltina
  • Panicum maximum cv. Tanzânia
  • Panicum maximum cv. Mombaça
  • Panicum spp. cv. Massai
  • Panicum maximum cv. Zuri
  • Panicum maximum cv. Tamani
  • Os híbridos de Brachiaria: Ipyporã e Mulato II.
  • E vários outras cultivares já disponíveis no mercado.

Todas essas cultivares tem mostrado boa resistência as cigarrinhas. A diversificação das pastagens com estas traz ótimos resultados, sendo a monocultura de pastagem o menos indicado. Se caso houver pastos com capins mais suscetíveis ao ataque de cigarrinhas, o mais recomendado é rebaixar essas áreas, não deixando sobras de matéria morta durante o período de maior concentração de postura de ovos em diapausa (ovos que vão eclodir no próximo período chuvoso), – que é próximo ao fim do período de concentração de chuvas, por volta de março/abril dependendo da região.

O bom manejo da fertilidade do solo também é essencial, para se evitar esse problema, pois a planta com uma boa nutrição tem mais condições de resistir aos ataques. Muitas vezes, esses ataques que acabam com o pasto é apenas um indicador da degradação da pastagem. Por isso, um mal manejo de fertilidade que deve ser corrigido, podendo ser feitas análises de solo de tempos em tempos, sendo extremamente importantes.

Se o problema já estiver ocorrendo, essas dicas comentadas anteriormente irão ajudar a diminuir esse problema e não deixar ele voltar após ter sido resolvido.  No entanto, para acabar com a cigarrinha dos pastos, certamente necessitará realizar o controle desse inseto. Existem no mercado opções de controles químicos e biológicos, sendo o mais indicado, o biológico, por não ser tóxico ao aplicador e nem aos animais, não precisando retirar os animais do pasto.

Por se tratar da aplicação de um fungo (Metarhizium anisopliae) que vai causar doença e morte nas cigarrinhas (2 a 7 dias) – deve-se ter um cuidado maior na aplicação para não inativar o fungo. Por exemplo, fazer a aplicação no final da tarde, com umidade relativamente alta (no mínimo 65%) e ter cuidado com a limpeza dos tanques de calda (pois resíduos de defensivos e similares podem inativar o fungo, e possui um maior efeito na 2º geração e 3º geração de cigarrinhas).

É preciso esperar o segundo surgimento de espumas nas touceiras para iniciar o combate. Em pastagens que se encontram com boa cobertura de solo, com material morto, tem ótima eficácia, devido ao microclima ideal para a sobrevivência do fungo, uma vez que o mesmo é sensível ao calor e período seco, assim como a cigarrinha.

Fonte: https://agro.genica.com.br/2020/01/22/metarhizium/

Um manejo que tem trazido ótimos resultados é a aplicação do controle químico aliado ao controle biológico, onde você utiliza do controle químico para eliminar a primeira geração de cigarrinhas adultas (que normalmente aparecem 30 dias após as primeiras chuvas), e depois o controle biológico (para eliminar os insetos restantes). O controle químico só afeta as adultas por causa que as ninfas possuem a espuma como proteção – e o controle biológico afeta todas as formas da cigarrinha, sendo mais efetivo na 2º e 3º geração do inseto.

Para uma maior eficiência do controle, deve-se realizar um monitoramento semanal nas pastagens que possam vir a ter ataques. A aplicação do agente químico deve ser feito após observar infestação de 20 a 25 ninfas por m², e ninfas possuindo tamanho semelhante ao adulto. Deve-se repetir a aplicação após 6 dias, devido aos variados tamanhos de ninfas existentes na pastagem. Enquanto o agente biológico, deve ser aplicado normalmente após 20-25 dias, quando for notado o aparecimento das ninfas de 2º geração, possuindo infestação por volta de 20 ninfas por m².

Deste modo, visamos com o agente químico, acabar com a primeira geração de cigarrinhas adultas e impedir que elas depositem ovos na pastagem. Importante saber que o agente químico não atinge só as cigarrinhas, mas também outros insetos, incluindo seus predadores naturais como a formiga lava pé e o fungo presente no agente biológico (Metarhizium anisopliae). Por isso, realizamos posteriormente o controle com o agente biológico que possui o fungo, para assim retorná-lo a pastagem, caso seja necessário repetir a aplicação do agente químico no surgimento das ninfas da 3º geração e com infestação de cerca de 20 a 25 ninfas por m².

Veja abaixo, o agente biológico e os agentes químicos que podem ser utilizados para o controle das cigarrinhas das pastagens:

  • Metarhizium anisopliae – Agente Biológico
  • Clorpirifos – Agente Químico
  • Lambdacialotrina + Tiametoxam – Agente Químico
  • Naled – Agente Químico
  • Fenitrotiona – Agente Químico
  • Triclorfon – Agente Químico
  • Carbaril – Agente Químico

Importante sempre ficar atento ao período de carência de cada agente químico. Para o agente biológico, não é necessário a retirada dos animais do pasto, enquanto que  para os agentes químicos, estes possuem um período de carência que deve ser respeitado com cautela!

Independente do método que for utilizado para o controle, com agente biológico, agente químico, agente químico + agente biológico, devemos sempre respeitar os passos aqui citados e ter o devido cuidado em cada tipo de aplicação. Cada tipo de controle vai possuir seus entraves, o químico pelo seu alto custo, dano ambiental, morte de outros insetos e sua toxidade ao aplicador – e o biológico por sua alta exigência de cuidado na hora da aplicação e baixa eficiência, se houver algum erro no momento de manejo e aplicação.

Por isso, deve-se estudar com cuidado qual produto comprar e qual tipo de controle utilizar, mas, o que mais vai funcionar e mais fácil será se você possui problemas com esse inseto, é o manejo e a diversificação das pastagens com cultivares resistentes ao inseto e o cuidado na hora da compra das sementes de capim, adquirindo sempre sementes registradas e assim livres de ovos de cigarrinhas e outras pragas.

Nós da JetBov, a amiga da sua gestão, esperamos que essas dicas te ajudem a acabar e evitar essa dor de cabeça que se chama cigarrinha das pastagens. Aproveite que chegou a fim desse texto que preparamos com carinho pra você nosso amigo produtor –  e dê mais uma olhada por nosso blog. Aqui você encontrará outros textos interessantes como este.

Desejamos que a alta produtividade e alta lucratividade sempre esteja com você nosso amigo pecuarista!

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