Preparação para a vacinação da Febre Aftosa

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Hoje vamos falar um pouco sobre a vacinação da Febre Aftosa que ocorre nos meses de maio e novembro na maioria dos estados. Você já está preparado?

Para iniciar nosso texto, vamos falar um pouco sobre o que é a febre aftosa. Trata-se de uma doença infecciosa que pode ser causada por sete tipos de vírus, e é transmitida por um animal infectado via saliva, fluidos, fezes ou leite. Já houve ocorrências de contaminação pelo ar em determinadas condições climáticas. Por ser altamente infecciosa, as medidas de contenção do vírus são bem rigorosas, devendo ser seguidas à risca, principalmente em relação à vacinação.

A Febre Aftosa se caracteriza pela formação de vesículas ou suas formas de evolução (bolhas íntegras ou rompidas, úlceras e cicatrizes) na mucosa oral (gengivas, pulvino dental, palato e língua), nasal, nas mamas e entre os cascos. Os principais sinais/sintomas são: febre alta, sialorréia (babeira), claudicação (manqueira), perda do apetite, enfraquecimento, descarga nasal e prostração. 

Ao identificar um animal doente, você deverá isolar este animal infectado dos demais que estão saudáveis. O local com os animais doentes deve ser isolado e após higienizado, pois o vírus pode ser carregado para outras áreas que estão com animais saudáveis, por meio de pneus de maquinários, implementos e até pelo homem, e deve ser obrigatória e imediatamente, comunicado ao serviço veterinário oficial mais próximo.

O Brasil já está livre da febre aftosa, com vacinação desde 2018, estamos progredindo para o nível livre de febre aftosa sem vacinação. É um caminho que já vem sendo projetado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) há algum tempo. 

Com todos fazendo a sua parte, vacinando seu gado, alertando o estado sobre ocorrência de casos, e enviando suas declarações de vacinação, logo logo todo o Brasil entrará nesse nível – visto que, possuímos estados e áreas do nosso território nacional no nível livre de febre aftosa sem vacinação. A Instrução Normativa Nº 36, de 29 de Abril de 2020 cita as áreas do Brasil que já não precisam mais vacinar seus gados.

“Art. 1º Proibir a manutenção, a comercialização e o uso de vacina contra a febre aftosa no Estado do Rio Grande do Sul e no Bloco I do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PE PNEFA), constituído pelos Estados do Acre e de Rondônia, e pela região do Estado do Amazonas abrangida pelos municípios de Apuí, Boca do Acre, Canutama, Eirunepé, Envira, Guajará, Humaitá, Itamarati, Ipixuna, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e parte do município de Tapauá, e pela região do Estado de Mato Grosso, composta pelo município de Rondolândia e partes dos municípios de Aripuanã, Colniza, Comodoro e Juína (…).”

Para chegarmos a uma pecuária lucrativa e produtiva devemos sempre explorar ao máximo o potencial de nossos animais e diminuir ao máximo as perdas em nosso rebanho. A doença da febre aftosa é um grande problema, pois além da mortalidade dos animais, principalmente dos mais jovens – a recomendação é que estes animais doentes sejam sacrificados, para reduzir a contaminação do restante do plantel e pelo fato da doença ser transmissível aos seres humanos, os casos de transmissão são raros, mas podem acontecer, tornando-se uma zoonoses.

Caso você esteja pensando em economizar com vacinas pensando que o preço das mesmas é elevado, saiba que o preço seria maior com a infecção em todo ou grande parte do seu rebanho, ter que sacrificar todos os animais seria uma grande perda. Focos de febre aftosa no país causam imediatas restrições na venda e exportação da carne, devido à preocupação com a contaminação dos animais.

Seguindo todas as instruções divulgadas pelo governo não levará muito tempo até todo nosso território nacional suspender a vacinação e tornarmos livre da febre aftosa sem vacinação, cabe a nós fazermos a nossa parte e conquistarmos isso juntos! Já falamos um pouco sobre essa doença bastante prejudicial ao nosso sistema de produção lucrativo, adentramos agora no manejo da vacinação. 

Antes da vacinação, devemos preparar os colaboradores para que tudo ocorra bem. Nada melhor do que iniciarmos falando sobre as boas práticas de vacinação e como fazer a preservação das vacinas. Quando as vacinas são adquiridas devem sempre ser conferidas se as marcas são confiáveis e de revendas autorizadas, bem como, sempre deve ser checada a data de validade e mantidas bem conservadas na geladeira – protegendo-as do aquecimento e do congelamento (quando congeladas devem ser descartadas). A temperatura adequada de conservação é entre 2ºC e 8ºC. Quando as vacinas são transportadas no dia da compra e quando são levadas para o manejo de vacinação, devem ser mantidas em caixa de isopor com gelo ou placas térmicas.

Ainda sobre os cuidados, as agulhas devem ser escolhidas conforme as orientações de tamanho e calibração, e serem bem esterilizadas em água fervente por 15 minutos. Elas devem ser armazenadas em caixas de metal ou plástico.  As agulhas devem ser trocadas a cada 10 animais, as reutilizáveis devem ser separadas para nova esterilização, enquanto as descartáveis devem ser descartadas de forma correta. Deve haver uma agulha exclusiva para retirar as doses da ampola, evitando a contaminação da ampola da vacina, deve-se manter os frascos de vacina dentro de caixa de isopor, abrigados da luz solar. Quando a pistola não estiver em uso, considere mantê-la dentro da caixa de isopor, agitar o frasco de vacina antes de encher a seringa, eliminar as bolhas de ar da seringa após seu enchimento, e aplicar a vacina na tábua do pescoço, por via subcutânea ou intramuscular.

Aplicação subcutânea

O melhor local de aplicação é próximo à tábua do pescoço, ou na paleta, puxando a pele para aliviar a tensão e aplicando a vacina de cima para baixo, abaixo da pele paralela ao corpo do bovino.

Aplicação intramuscular

Devem ser aplicadas no músculo da tábua do pescoço, evitar a musculatura da garupa por conta de risco de lesionar o nervo ciático do animal, aplicar a vacina a 4-5 cm de profundidade em um único golpe firme e rápido.

Para o manejo da vacinação deve se ter um cuidado redobrado, pois como já é um manejo estressante para o gado devido estar no curral com muitos animais, ainda tem a vacinação. O animal passa pelo tronco, isso pode gerar um estresse muito grande que pode até diminuir a eficiência da vacina, então para melhorar esse ponto o manejo deve ser realizado sem pressa, mesmo que sabemos que sempre queremos terminar logo esse tipo de manejo. O “terminar logo” pode trazer muitos erros e muito estresse aos animais, ocasionando lesões neles.

Todo o processo deve ser feito com calma, sem gritos e grandes barulhos, e os animais devem ser conduzidos ao brete com calma, deve-se tentar dividir os animais para não colocar todos nas mangas do curral e ficarem por muito tempo, aumentando o estresse. Deve-se colocar um tanto de animais de modo que eles não fiquem muito tempo aguardando pelo manejo, isso diminuirá bastante o nível de estresse. Ao término da vacinação, conduza os bovinos calmamente para seus pastos, onde possua sombra e disponibilidade de água. Preze sempre por um manejo calmo para não diminuir a imunidade devido à agitação dos mesmos.

Tenha o cuidado nas aplicações para não lesionar o corpo do gado por conta de falta de higiene ou erros de aplicação. As lesões podem causar descarte de partes da carcaça do animal, diminuindo o seu valor. A atenção com a compra dos aplicadores é muito importante, pois além de um equipamento ruim poder causar muitos desperdícios, pode ainda causar lesões nesses animais, sendo assim, uma atenção maior deve ser dada a isso. As vacinas não devem ser combinadas a não ser que sejam recomendadas pelo fabricante. É possível administrar mais de uma vacina no animal alternando o local de aplicação, e com pistolas ou seringas diferentes.

Para as aplicações com seringas, é recomendado após introduzir a agulha no animal, puxar o êmbolo e verificar se não há entrada de sangue na seringa, indicando que você está em um possível vaso sanguíneo. Neste caso, retire a seringa e aplique novamente em outro local.

Chegamos ao fim de mais um texto, e com isso vem a gratificação da JetBov, em poder contribuir com informações importantes para você produtor que está à caminho da pecuária lucrativa e produtiva. Dê uma olhada aqui em nosso Blog da Pecuária do Futuro, você encontrará diversos conteúdos que ajudarão na lucratividade e produtividade da sua fazenda.

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