Vantagens e desvantagens da monta natural

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Você já deve conhecer o termo “monta natural”. Não é nenhum bicho de sete cabeças: trata-se da cópula entre o macho e a fêmea, sem a interferência humana, ou seja, que ocorre de forma livre.

Mas você pecuarista sabe quais são os benefícios desse tipo de monta? E sabe dizer qual é melhor: a inseminação artificial ou a monta natural?

Fonte: boiapasto.com.br

A monta natural é o método tradicional mais conhecido, utilizado em rebanhos de cria criados de forma extensiva, e é muito popular por ser fácil de aplicar. Afinal de contas, não é necessária mão-de-obra dos peões da fazenda para que ela aconteça, nem a observação e identificação dos cios por pessoas qualificadas. Além disso, o cio das fêmeas são melhor aproveitados, pois o macho sabe o momento certo para realizar a monta.

Fonte: senepol.org.br

Contudo, a técnica também traz algumas desvantagens, que devem ser levadas em consideração pelo pecuarista no momento de decidir qual vai ser a forma de fertilização utilizada em sua fazenda. Algumas delas:

  • Acidentes ocorrem com certa frequência, podendo afetar e ferir as matrizes, o macho e até mesmo outros animais ou pessoas que estejam ao redor no momento da monta;
  • Se o touro for grande ou pesado demais, as matrizes podem sofrer lesões;
  • A “vida útil” do touro é reduzida pelo excesso de montas, sendo necessária a troca do reprodutor dentro de poucos anos;
  • A taxa de prenhez é baixa devida a limitação do touro em efetuar a monta. Um animal saudável consegue realizar, por ano, uma média de 30 montas;
  • Nem sempre o boi que fará a monta é aquele que tem os melhores genes;
  • O risco de contágio de doenças sexualmente transmissíveis é exponencialmente maior;

Fonte: shopveterinario.com.br

Além disso, as anotações e o controle sobre a taxa de prenhez dos animais se tornam quase que impossíveis, pois, o acasalamento pode ocorrer inclusive a noite, não sendo possíveis de ser percebidas pelo time da fazenda.

Pesei as vantagens e as desvantagens e optei por utilizar a monta natural, o que posso fazer para melhorar os resultados?

Uma das saídas mais comuns para obter uma maior taxa de prenhez em matrizes que se reproduzem através de monta natural é diminuir o número de fêmeas por touro. Por exemplo, comentamos anteriormente que um touro consegue efetuar a monta em uma média de 30 fêmeas em um ano. Reduzindo o número de fêmeas a serem montadas para 15 fará com que a taxa de prenhez seja maior.

Outra dica é garantir que o touro escolhido seja um bom reprodutor. O método mais simples de se conseguir ter essa informação é através de uma análise, observando a circunferência escrotal, qualidade espermática, o prepúcio, o comportamento sexual, o peso e a carcaça do animal. Parece óbvio? Mas acredite, muitos pecuaristas não conseguem bons resultados por não analisarem esses quesitos na hora da compra do animal reprodutor.

Fonte: comprerural.com

Apesar de ser uma técnica muito usada, quando comparada a inseminação artificial ela se torna menos viável do ponto de vista da produção para grandes propriedades. Isso ocorre pois, como dissemos anteriormente, na monta natural a eficácia de um touro é reduzida a aproximadamente 30 fêmeas, enquanto na inseminação artificial é possível inseminar vários lotes de fêmeas.

Além disso, a taxa de concepção de uma fêmea também é consideravelmente maior quando ocorre a inseminação por uma pessoa qualificada, pois o sêmen é depositado dentro do aparelho reprodutivo da fêmea, não havendo “desperdícios”. Isso sem contar que evitamos bastante estresse por parte dos animais, desde que feito um bom manejo.

Fora que o número e o risco de acidentes que podem vir ocorrer é reduzido drasticamente!

Mas, porque então os pecuaristas nem sempre optam pela inseminação?

Além do custo consideravelmente elevado para aquisição dos equipamentos devidos para inseminação, é necessário a contratação de uma equipe qualificada. Enquanto a monta natural ele não precisa se preocupar com questões de manejo.

E se você está se perguntando se a monta natural é mais lucrativa do que a inseminação ou vice-versa, a resposta é: depende do objetivo do pecuarista. Se o objetivo for cria para venda, em uma fazenda de grande escala, a inseminação artificial é sem dúvidas a melhor opção. Apesar dos custos expressivos, essa técnica trará grande retorno ao produtor, com elevadas taxas de prenhez, bezerros padronizados, mesma época de parição, lotes homogêneos, etc., o que facilita em muito a criação e manejo até a venda dos animais.

Caso seja uma fazenda de pequena produção, a monta natural é o mais recomendado. Mas por que? Isso porque um touro reprodutor, quando precisa ser descartado, já terá pago o custo que o pecuarista teve com ele. O que inclui a compra do macho, o custo com alimento e vacinas, e trará ao pequeno pecuarista o lucro que ele espera. É um método que o produtor pode confiar que terá o retorno. Já a inseminação, caso feita sem os procedimentos adequados, desde a estocagem do sêmen até a inseminação propriamente dita, trará muitos prejuízos.

Então entramos naquela, pra que trocar o certo pelo duvidoso?

Eu não trocaria.

Mas e você pecuarista? Qual método de fertilização você utiliza em sua fazenda?

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