Vacinação e outros cuidados importantes depois que o bezerro nascer

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Uma das fases mais importantes e críticas da produção é o momento do nascimento dos bezerros e os dias iniciais da vida destes animais.
Durante meses são feitos investimentos em bons manejos reprodutivos para que a vaca fique prenha e garanta o bom desenvolvimento do feto até que a gestação chegue a termo, refletindo em custos na produção.
A vaca que consegue parir mas, perde o bezerro, tem um custo muito mais elevado do que as vacas que não chegaram a ficar prenhes pois, durante a gestação são feitos diversos manejos de nutrição e sanitários a fim da manutenção de uma prenhez sadia e consequentemente o nascimento de um bezerro saudável.
Garantir os cuidados ao nascimento e na fase neonatal, leva a diminuição das taxas de mortalidade e consequentemente aumento das taxas de desmama, aumentando a lucratividade.
Então, para que a vaca entregue o resultado não basta apenas parir, o desenvolvimento da cria deve ser garantido até que este seja desmamado, para a matriz então entregar o resultado de fato.
Ao nascer, o bezerro é frágil e necessita de cuidados para garantir a sua sobrevivência e chegar a desmama saudável, encerrando então a fase de cria.
A vacinação, que está inserida dentro do protocolo sanitário, é um dos principais cuidados após o nascimento, visando garantir a diminuição da ocorrência de enfermidades nos bezerros. Confira a seguir uma lista descrevendo sobre este e outros aspectos que merecem atenção.

Ingestão do colostro

Após se levantar, o primeiro grande cuidado que deve ser tomado é a garantia da ingestão do colostro pelo bezerro nas primeiras 6 horas após o nascimento.
O colostro é ingerido pelo bezerro na primeira mamada, rico em imunoglobulinas que garantem a base do desenvolvimento do sistema imunológico dos bezerros, garantindo sua defesa inicial contra micro-organismos presentes no ambiente.
Estudos comprovam que a não ingestão de colostro pode levar ao comprometimento da imunidade dos bezerros, aumentando a suscetibilidade ao adoecimento e consequentemente a mortalidade dos animais.
Além disso, o colostro garante nutrientes, hidratação e energia para o bezerro nas primeiras horas de vida.
Vale lembrar que, dependendo da categoria e aptidão materna da vaca, pode ser mais difícil para o bezerro realizar esta primeira mamada.
Então, sempre que possível, é importante observar os piquetes de maternidade, principalmente quando se trabalha com novilhas de primeira cria que ainda não estão acostumadas com o momento do parto e podem levar algum tempo até se familiarizar com o bezerro.
Caso o bezerro não consiga ingerir o colostro, seja por dificuldade, rejeição ou perda da mãe, é importante auxiliar neste momento e fornecer o colostro para o animal.
Em casos de rejeição ou morte da matriz, pode utilizar colostro de outras fêmeas recém paridas ou armazenado congelado para fornecer ao animal, então, sempre que possível é indicado realizar a estocagem do colostro de vacas sadias via congelamento, mantendo um banco de colostro na propriedade.

Cura do umbigo

A mortalidade de bezerros em decorrência de infecções umbilicais pode chegar até a 25%*, sendo assim a cura do umbigo, que é um procedimento simples, pode garantir muitos benefícios e consequentemente diminuição da mortalidade.
Ao cortar o umbigo, o animal fica com uma porta de entrada suscetível a entrada patógenos presentes no ambiente, que podem levar a infecções umbilicais, conhecidas como onfalites e estas podem evoluir para quadros de infecções mais graves, levando inclusive à morte do animal. Além disso, podem ocorrer hérnias umbilicais e miíases.
Para higienização correta do umbigo é indicado o corte com material limpo, caso seja muito comprido, e a limpeza com solução de iodo por pelo menos três dias.
Além disso, indica-se a aplicação de produtos com ação repelente contra moscas, para evitar que pousem e causem as famosas bicheiras no umbigo.

Protocolo sanitário – vermifugação e vacinação

Assim como as demais categorias de animais, é importante garantir que os bezerros sejam vermifugados e vacinados, de acordo com o calendário sanitário de sua fazenda e de acordo com a incidência de doenças em sua região.
As verminoses são grandes causadoras de perdas de desempenho e mortes nos bezerros, sendo recomendado que todos os animais sejam vermifugados aos dois, quatro e seis meses de idade e seguindo com a vermifugação conforme já realiza para as demais categorias do rebanho.

Algumas vacinas são obrigatórias, tais como:

A vacina de brucelose, para fêmeas entre 5 a 8 meses de idade, deve ser feita pelo médico veterinário e também deve ser garantida a marcação dos animais vacinados.
A vacina contra febre aftosa, nas regiões em que ainda é obrigatória. Todos os animais com até 24 meses de idade devem ser vacinados em maio e em novembro, com realização de reforços anuais.
A vacina contra carbúnculo sintomático deve ser aplicada aos 4 meses, com reforços a cada 6 meses, até a idade de 24 meses.
A vacina contra raiva, em animais a partir de 4 meses de idade, com revacinação anual.
De acordo com a região, se endêmica para algumas doenças, pode ser ainda necessário vacinar os bezerros contra paratifo, aos 15 e 45 dias de vida, contra leptospirose para bezerros acima de 2 meses e contra o botulismo também a partir dos dois meses e com reforços de 4 a 6 semanas após a primeira vacinação.
Além dos cuidados de prevenção, é importante sempre estar realizando a ronda nos piquetes onde se encontram os bezerros e observar se todos estão em boas condições sanitárias – para intervir com tratamento caso necessário.
Muitos bezerros são acometidos por diarreias neonatais, causadas por bactérias ou até mesmo pela ingestão de forragem, a qual o bezerro ainda não está acostumado. Se não tratada a tempo, esta condição pode levar a perda de peso, desidratação e até a morte dos bezerros, então, ao observar que possui animais com diarreia é importante tentar identificar a causa e iniciar o tratamento o quanto antes.

Ambiente e bem estar

O ambiente para criação dos bezerros também deve ser levado em consideração.
Dias antes do parto, a vaca deve ser levada aos piquetes maternidade e devem permanecer nestes pelo período neonatal. Os piquetes devem ser limpos e com uma altura de pasto que permita enxergar os bezerros para facilitar a observação.
Deve-se buscar que sejam locais mais próximos e de fácil acesso, bem como afastados de matas onde possa ter a presença de predadores pois, os bezerros são mais suscetíveis aos ataques.
O acesso à água limpa e abundante deve ser garantido, bem como locais com sombreamento.
Nos momentos de manejos de cura de umbigo, identificação ou manejos sanitários, é importante que o bem-estar dos animais seja garantido. Então, devem ser manejados com calma e sempre contidos para evitar estresse e possíveis acidentes.

Identificação e registro do animal

Ao nascimento, é importante sempre realizar a identificação e registro dos animais em seus sistemas de controle para que possa sempre manter seu inventário de animais atualizado e ter o acompanhamento da quantidade de bezerros nascidos – para futuramente realizar a avaliação do desempenho das crias e também de suas mães.
Esta identificação pode ser realizada no dia do nascimento, com brincos. Neste momento é importante que seja realizada a correta contenção dos bezerros, além da higienização de aplicadores e do próprio brinco. Vale também ressaltar que para prevenção de bicheiras no local de aplicação do brinco, é indicado a aplicação de pomadas como o unguento para auxiliar na cicatrização.
Com a identificação, além da organização do seu inventário para facilitar sua gestão e controle, você pode agregar valor aos bezerros que produz por meio da rastreabilidade. E a plataforma da JetBov pode te auxiliar neste sentido.Com o aplicativo JetBov de campo, no momento do nascimento o bezerro já pode ser registrado e em sua ficha terá as informações de filiação, com dados de pai e mãe.
Além disso, você pode registrar todos os dados e manejos do animal, como o peso do nascimento e manejos sanitários, para já iniciar as suas avaliações de desempenho e ter dados sobre o animal para apresentar para possíveis compradores ou para lhe auxiliar no planejamento da recria dos animais.
Se você ainda não segue estes cuidados, que tal começar a partir da próxima estação de parição?

E se ficou interessado em como a JetBov pode te ajudar, é só entrar em contato conosco.

*Fonte: Martini (2018).

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